69 ANOS DE AMOR | Clicks do Mês de junho conta história de casal de Belém do Piauí; veja os registros!
Publicado por: Josely Carvalho | Data: 18/06/19

69 ANOS DE AMOR | Clicks do Mês de junho conta história de casal de Belém do Piauí; veja os registros!

05 de novembro de 1950 é a data em que foi selado um amor duradouro e que gerou frutos. Quase 69 anos já se passaram e seu Aristáquio Manoel da Silva, de 88 anos, e Ursulina Amélia da Conceição, 83, continuam firmes na promessa que fizeram: “Até que a morte nos separe”.

Em homenagem ao Dia dos Namorados, o Clicks do Mês de junho traz a história de seu Aristáquio e dona Ursulina. O casal, que é da cidade de Belém do Piauí, atualmente tem 10 filhos, 33 netos, 46 bisnetos e 7 tataranetos e é um exemplo de companheirismo, amor e cuidado.

Seu Aristáquio contou que casou-se aos 20 anos e criou os filhos com a ajuda de Deus. “Quando casamos eu tinha 20 anos e ela 15, ficamos firmes mesmo e aí a gente vem lutando até hoje. Tivemos nossos filhos e fomos “se bater” para criar, porque naquele tempo não tinha ajuda de nada, só de Deus e desses dois braços, e foi assim que criamos os meninos. Hoje estou satisfeito porque eles estão criando os filhos como criei eles”, disse.

Todos os 13 filhos nasceram na cidade de Belém do Piauí. “Os filhos nasceram todos aqui em Belém. A gente morava no interior, no Tabuleiro do Meio. Alguns já nasceram aqui na cidade, na beira do rio. Naquele tempo não tinha doutor, não tinha ajuda, só de Deus, e nós conseguimos. Passamos “precisão”, mas conseguimos” destacou.

Ele também contou que não tinha nada quando se casou, mas casou por amor. “Quando me casei só tinha a roupa do corpo, não tinha nada, me casei de teimoso (risos). Mas Deus me ajudou e consegui criar meu filhos. Hoje já estamos nessa idade e nunca nos largamos, porque não temos tempo para isso, não casei por “boniteza”, casei por amor e esse amor ainda hoje existe, não acabou.  Só vamos nos largar quando morrer, porque casei foi para viver”, concluiu.

Dona Ursulina contou que no início o pai não aceitava e queria que ela casasse com um primo. “Papai no começo não queria não, ele queria que eu me casasse era com um primo meu. Quando meu pai dizia que era para me casar com ele, eu “pegava a chorar”. Aí ele falou com minha mãe ‘vamos fazer esse casamento, pra essa menina só tem esse rapaz (seu Ari). E outros rapazes eram todos “doidos por mim”, mas eu não queria. No fim meu pai aceitou e disse ‘é pra casar, mas é pra viver toda a vida’”, falou.

Ela também falou sobre o dia do casamento e disse que o amor nunca vai acabar. “Eu digo que ele não acaba nunca, só acaba quando Deus nos levar. O padre nem queria fazer o casamento, porque só se casava com 18 anos, quando fui casar o padre falou ‘Você pode sair da roda que criança não pode se casar não’ (risos). Aí eu fiquei com vergonha e nós saímos. Aí o Aristarco disse, ‘pois, dá o dinheiro que eu vou me casar no civil’, aí ele disse que era pecado. O povo que estava lá casou e nós ficamos com os nossos pais “pelejando” com o padre pra ele poder fazer o casamento. Quando foi de “tardezinha” nós nos casamos e fomos embora”, disse.

O casal teve 13 filhos, mas três nasceram mortos. Em uma das gestações, dona Ursulina contou que achava que morreria. “Lavando os pratos no “giral”, quando coloquei minhas mãos dentro da água me deu uma coceira e aí eu fiquei toda inchada. Acho que foi alergia do café, passei três dias sem comer e sem beber, colocava só um pinguinho de leite para molhar a boca, mas eu não estava “dando fé” de nada. Ele (seu Aristáquio) é quem me dava as injeções, aí meu pai disse ‘não rapaz, não faz mais isso não, deixa pra lá, não vai mais judiar não, já tá morta, não tem mais jeito. Aí ele disse ‘enquanto for viva a gente peleja’. Eu sei que ainda escapei, nuca pensei de viver mais, foi Deus mesmo. Mas a menina nasceu morta”, contou.

Dona Ursulina, que descobriu que sofria de epilepsia, engravidou novamente e teve medo. “Essa doença aí, o homem disse que quem tinha ela não escapava não. Ele falou que se desse três vezes eu não escapava, eu tinha medo. Minha cunhada disse que ia fazer uma promessa a São Francisco, quando nascesse o menino ia ser batizado no Canindé e o nome seria Francisco. Aí eu fiquei só imaginando como era que eu ia batizar o menino, nesse tempo as coisas eram difíceis, não tinha carro nem nada, mas graças a Deus o menino nasceu, nós achamos um carro e fomos” disse.

Ela também contou as dificuldades que enfrentou na sua última gestação, que foi de gêmeos. “Eu achei que era só um, fiquei amarelinha e magrinha só comia duas colheres de manteiga. Teve uma parente minha que disse ‘Vixe Ursulina tu tá muito magra, tu tá amarelinha sem um pingo de sangue, vai para Araripina senão tu morre’. Eu falei que não ia, aí ela disse ‘e você tem coragem de ganhar neném só na mão da parteira?’ eu disse ‘tenho, se Deus quiser, vou esperar por Deus’. E graças a Deus tive os meninos, deu certo. Eu sofri minha filha, eu sofri na vida. Meus parentes já morreram tudinho, e eu ainda estou aqui” finalizou.

Veja o ensaio do casal: 

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