Em Vila Nova, 4º Ciclo de Palestras trata sobre História, Cultura Negra e Identidade; veja fotos
Publicado por: José Antônio Ferreira Costa | Data: 31/05/19

Em Vila Nova, 4º Ciclo de Palestras trata sobre História, Cultura Negra e Identidade; veja fotos

Dança afro, poesia, hip hop, palestras, mesa redonda e oficinas de Grafite, foram as atrações do 4º Ciclo de Palestras que teve como tema” História, Cultura Negra e Identidade: Um olhar sobre o legado africano no Piaui”.

Promovido pelo Núcleo de Cidadania de Adolescentes (NUCA) com apoio da Prefeitura Municipal de Vila Nova do Piauí, através da gestão “Trabalho e Compromisso” administrada pelo prefeito Edilson Edmundo de Brito, o quarto ciclo teve início ainda pela manhã com a oficina de Grafite, oferecida pelo cantor do movimento rap picoense, Ted Rap, responsável pela decoração da fachada do Ponto de Cultura Cidade Poesia, em Vila Nova e mentor da transmissão  do conhecimento da técnica do grafite.

As atividades iniciaram às 8h da manhã desta quinta-feira (30) e prosseguiu até as 21h30.

A execução do Hino da África marcou a abertura do evento durante a noite, presidido pela professora e articuladora do Selo Unicef, Marli Veloso, que deu as boas-vindas e direcionou as atrações destacando um pouco do que o mundo da arte é capaz “Conversar sobre o racismo e a arte de combate a ele”.

“Vocês produziram grafites maravilhosos, que certamente vão embelezar a vida e o olhar de todos que tiverem acesso. Quem for passando, seja Vilanovense ou não, ficarão maravilhados com o que vocês produziram hoje aqui na frente da biblioteca e vai fazer a diferença na vida dessas pessoas também”, pontuou.

“Essa dimensão da beleza traduzida por vocês com auxílio do Ted Rap, artista maravilhoso, grafiteiro muito bom e militante do movimento negro para encerrar o dia de hoje com várias atividades do mês de maio, mês de combate ao racismo. Esse nosso compromisso com o combate ao racismo não se encerra hoje. Ele faz parte das nossas vidas e tem que estar presente na nossa fala, nas nossas atitudes e nos nossos compromissos”, incentivou Marli.

A mobilizadora do Núcleo de Cidadania dos Adolescentes, Taynara Oliveira, abordou sobre o desafio de promover práticas de enfrentamento ao racismo e fez um balanço geral das atividades promovidas durante o mês de maio. Taynara aproveitou para deixar a mensagem de inventivo ao aprendizado.

“Esse é um momento especial em que possamos aprender e repassar o que a gente aprendeu. Aprendemos muito de forma divertida e gratificante […] percebemos hoje na prática como é pintar e desenvolver essa habilidade da arte através das pinturas que são tão importantes”, ressaltou.

“Foi muito gratificante e declaro que estou extremamente feliz com a participação e a integração de todos os adolescentes que vieram e participaram até o fim”, agradeceu.

“Vamos nos permitir  a aprender mais e repassarmos tudo que podemos aprender”, finalizou Tayana repassando a mensagem de incentivo.

A professora historiadora, Edinte Brito, falou sobre o compromisso da gestão municipal com as políticas de enfrentamento ao Racismo.

“Já me sinto na obrigação de estar presente no próximo evento. Durante o dia tiveram momentos de conversas, interação, sem contar da arte que foi feita e está exposta no Ponto de Cultura. Me encantei com todo esse trabalho e tenho certeza que vocês vão sair com um pensamento diferente de quando vocês entraram pela manhã aqui, porque eu sei que o que vocês aprenderam, vão levar para o resto da vida”, frisou.

“Nós somos seres humanos e não podemos deixar que o preconceito de forma alguma possa dominar nossa mente e o nosso caráter. Temos que defender e aprender a valorizar. Jamais podemos ter preconceito seja na cor, na raça, ou na etnia. Vocês estudantes, a maioria são adolescentes e eu sei que vocês serão multiplicadores de tudo aquilo que vocês aprenderam e vão aprender ainda muito mais. Isso é válido para a vida de vocês não só como pessoa mas como ser humano e saber preservar o bem como ser humano e como profissional que vocês um dia serão”, ressalta a professora Edinete incentivando os jovens a valorizar as pessoas sem distinção de credo, cor ou classe social.

As apresentações cultuais iniciaram com o grupo de hip hop, New Class, coordenado pelo professor Thallys.

Logo após o New Class, mostrar a sincronia dos movimentos que o hip hop possui, foi a vez do grupo AJA dar um show de coreografia afro descendente, dirigido pelo professor Edilberto Lima.

No decorrer do evento em seguida às apresentações ocorreu o momento de formação da mesa redonda composta pelo jornalista Willians Sousa e o cantor Ted Rap, mediada pela professora e historiadora, Maria Cândida.

Ted Rap iniciou o ciclo de debate da mesa redonda tratando sobre o tema voltado para a arte como instrumento de enfrentamento ao Racismo. O cantor agradeceu pelo convite aos representantes da administração vila-novense, e ressaltou que na arte do grafite sempre destaca a temática social e racial.  Ted afirmou que a primeira medida de combate ao racismo é entender o real significado.

“Para combatermos o racismo é necessário entender o seu significado e como se originou”, destacou.

O rapper na ocasião ministrando sua palestra, resgatou a história da colonização brasileira, lembrando que a escrevidão no Brasil perdurou por mais de três séculos. Vários apontamentos sobre a cultura afrodescendente foram explanados.

“Somos a herança de um povo que viveu mais de 300 anos escravizados […] o Brasil foi o último país a abolir a escravidão e deram a liberdade, porém sem nenhuma perspectiva de vida aos “ex-escravos” cansados por tantos maus tratos sofridos porque a única coisa que sabiam fazer era trabalhar na agricultura durante as plantações e colheitas”, lembrou.

“Foram libertos sem direito e sem nenhuma indenização. Sem direito a terra para continuarem na agricultura, sem direito a nada, totalmente desvalidos de qualquer direito ou amparo”, lamentou durante palestra pelo regime escravocrata.

Na temática central, foi apresentado o vídeo documentário “A comunicação  na comunidade quilombola Tapuio”, produzido pelo jornalista e repórter do Portal Cidades Na Net, Willians Sousa. Durante sua oratória, Willians revelou de fato o que motivou a pesquisa e também fez relatos coletados através de referências bibliográficas durante o período em que desenvolveu pesquisa.

Na abordagem o jornalista citou trechos escritos do livro de Gilberto Freyre, Casa Grande e Senzala. No livro é possível perceber que os mais variados costumes herdados são muito utilizados de forma veemente nos dias atuais.

Willians declarou que sua pesquisa partiu do interesse em saber de que forma o advento da internet e as novas tecnologias digitais interferem nos costumes e tradições do povo quilombola de Tapuio.

“Tive interesse em produzir o vídeo documentário “A comunicação na comunidade quilombola Tapuio”, a partir de uma palestra que assisti com o historiador e líder xavante, índio Hiparid Top Tiro, ocorrida em 2013 na Faculdade RSá em Picos. Foi quando o líder indígena falou sobre a tecnologia que chegara às tribos indígenas. Tive a partir de então o interesse em saber de que forma as novas tecnologias estavam interferindo nas comunidades quilombolas”, explicou

“No final da graduação em Jornalismo decidi produzir o documentário juntamente com a aluna Luiza Ana de Moura sobre a comunidade quilombola Tapuio, localizada na zona rural da cidade de Queimada Nova “, revelou.

“Durante o período de pesquisa bibliográfica pude perceber de fato que o sangue africano corre em nossas veias. Nós somos africanos independente de cor. Não importa de somos brancos, pardos ou de outra cor. O que importa é que independente de cor, somos descendentes de africanos em tudo que temos e tudo que somos hoje porque foi graças ao povo africano que o Brasil foi erguido. O país foi erguido através da força do homem africano”, exclamou ressaltando a importância a cultura afro.

O documentarista aproveitou para agradecer a professora Marli Veloso pelo convite e parabenizou a administração municipal de Vila Nova por sempre apoiar as causas sociais como: Cultura, Saúde, Educação, Assistência Social dentre outras.

Mediadora da mesa redonda, a professora Maria Cândida fez também importantes relatos sobre a cultura e a identidade africana.

“Quando falamos em África no Brasil e no Piauí, é a nossa identidade. Somos no entanto, a seguda maior população de nergros no mundo e estamos fando da nossa história”, enfatizou a professora.

O prefeito Edilson Brito, que também participou do evento fez os agradecimentos a todos os professores presentes, membros do Conselho Tutelar, aos palestrantes e todos que participaram ativamente. O gestor de Vila Nova afirmou que sempre se mostrou interessado na causa declarando sincera admiração e verdadeiro entusiasta.

“Sempre participei de palestras e eventos voltados para causas sociais porque tinha curisidade muito grande a respeito da escravidão. Fica aqui meus agradecimentos a todos os professores, aos conselheiros tutelares, aos secretários, aos nossos jovens que tivemos o privilégio de compartilhar das atividades”, disse.

“Tivemos aqui temas muito ricos com Ted Rap, o documentário apresentado aqui por Willians, os relatos da professora Maria Cândida e dos alunos e membros dos grupos. Quero dizer que é um documentário muito importante na vida de cada um de vocês. Quero dizer que a cultura de Vila Nova tem meu apoio e que o município está de braços abertos”, finalizou o prefeito Edilson.

Estiveram presentes: alunos e professores da Rede Municipal e Estadual de Ensino; secretária de Educação Antônia Maria; secretária de Assistência Social, Ana Carolina; prefeito Edilson Brito; a professora Edinete Brito; professora Maria Cândida; representantes da Escola Sabino Gomes de Lima, Zacarias Manoel da Silva, Luís Ubiriaci de Carvalho e equipes gestoras das instituições de ensino juntamente com membros da Comissão Intersetorial do Selo Unicef; Nuca de Vila Nova e membros do NUCA de Jaicós; os jornalistas do Cidades Na Net: Iago Sousa e Jota Ferreira, jovens e o povo em geral.

Após encerrado o evento os adolescentes permaneceram no Ponto de Cultura Cidade Poesia conversando e dançando.

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