Publicado por: Josely Carvalho | Data: 23/05/19
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Piauiense percorre uma das estradas mais perigosas do mundo de POP; “É prazeroso conhecer lugares, culturas e pessoas” diz Agnaldo

“O Sertanejo é antes de tudo um forte”. Talvez, a frase do grande Euclides da Cunha, seja a que mais caracteriza o povo do querido Nordeste, que para realizar seus sonhos, viver novas experiências, garantir um futuro melhor ou simplesmente fazer aquilo que o faz bem, luta com todas as forças.

Uma das pessoas que exemplifica bem a força do nordestino é Agnaldo da Silva Alves, 48 anos, natural de Elesbão Veloso. Ele é microempreendedor, divorciado, pai e avô. Mas, o que torna a história de Agnaldo diferente é o fato de que ele, por amor, se tornou um viajante.

Agnaldo esteve na cidade de Jaicós na segunda (20), e concedeu uma entrevista exclusiva ao portal Cidades na Net. Ele, sozinho, percorre vários países em uma motocicleta, modelo POP. Na passagem por Jaicós, ele retornava de Salvador.

Agnaldo disse que viaja há mais de trinta anos e que seu primeiro contato com a POP aconteceu há 10 anos. “Eu já ando pelo mundo desde os 15 anos, são 33 anos andando pelo mundo. Quanto mais eu ando, mais vontade eu tenho. Há 10 anos atrás eu tive o primeiro contato com a Pop, eu a vi e me apaixonei, foi amor à primeira vista. Eu conheço o Brasil de ponta a ponta, já conheci as cinco regiões, de avião, ônibus e caminhão” contou.

Ele conta que começou vendendo sorvete em algumas cidades, de POP. “Como estou com a Pop há 10 anos, eu acho ela leve para transitar. Eu já tive um empreendimento que era vendendo sorvete em cima da Pop, então eu vendia de José de Freitas a Oeiras. Eu vendia também nos interiores, foi muito prazeroso porque eu cheguei em lugares que crianças de 9 anos nunca tinham tomado um sorvete, de pessoas que não sabiam nem o que era” contou.

Na primeira viagem mais longa que ele fez, pediu ajuda aos amigos. “Trabalhei de motoboy em São Paulo, foi muito prazeroso também. Uma vez eu projetei para ir a São Paulo e não tinha dinheiro e decidi ir de Pop, sai pedindo dinheiro aos amigos e teve um que me falou que não dava dinheiro, mas se eu quisesse ele me daria uma carona para mim e minha Pop, aí eu aceitei. Então ficou aquela coisa, eu fui só pela metade para São Paulo, fiquei devendo para as pessoas e para mim mesmo” disse.

Recentemente, Agnaldo viveu uma de suas maiores experiências. Ele viajou para o Chile e percorreu umas das estradas mais perigosas do mundo, a Cordilheira dos Andes. “A viagem foi em duas etapas, eu peguei minha moto de Elesbão Veloso e fui direto para São Paulo, dessa vez sem nenhuma carona e aí deixei a moto lá e voltei para Elesbão Veloso. Foi em duas etapas porque não é barato para mim, para montar toda essa estrutura, eu gastei 15 mil reais. De São Paulo eu fui para o Chile, depois de atravessar a Cordilheira dos Andes, uma das estradas mais perigosas do mundo. São pouquíssimas pessoas que conseguem fazer uma viagem internacional, principalmente de início porque tem toda a parte burocrática, pode entrar com a identidade, mas com o passaporte é melhor. Tem também a questão da segurança, o capacete não pode ser desses usados no dia a dia” explicou.

Durante a expedição, ele teve a oportunidade de conhecer diversos lugares. “Eu entrei em Jaguarão na divisa do Brasil com o Uruguai e percorri uma parte da zona rural, aí vim até o Chuí, passei por Montevidéu e em todo litoral do Uruguai. Fui até uma cidadezinha pequena histórica chamada Colônia del Sacramento, lá peguei um transporte chamado Buquebus, uma espécie de navio. Paguei 280 reais eu e minha moto, e desembarcamos em Buenos Aires. É interessante, porque na primeira vez que fui para Buenos Aires eu tive que vender uma Pop, tempos depois comprei uma Pop para ir a Buenos Aires. Então foi uma emoção muito grande, na estrada eu chorei sozinho, conversava com minha Pop e lembrava das pessoas que colaboraram comigo” disse.

De acordo com ele, a viagem, somente de ida, durou cerca de 22 dias. “Passei no Zoológico de Luján, a 70 km de Buenos Aires, e tinha mais 2 programações lá em Buenos Aires que era retornar ao estádio do Boca e ir na Casa Rosada. Comprei essa agenda e segui em uma espécie de BR chamada Ruta, foram 1000 km. A viagem toda da ida foi de 22 dias. A minha moto eu deixei no pé da Cordilheira dos Andes porque eu fiz uma programação que não deu para cumprir, então eu acabei deixando a minha moto, o bom é que eu vou voltar lá para seguir viagem para outros lugares” contou.

Agnaldo disse que é prazeroso conhecer lugares e culturas. “Você passa muito tempo solitário na estrada, mas é prazeroso conhecer lugares, conhecer culturas, conhecer pessoas, isso não tem preço. Eu tinha ido a esses países de avião, mas o contato terrestre com as pessoas é muito melhor. A história está escrita, o primeiro piauiense a cruzar a Cordilheira dos Andes. Daqui há 50 anos, os meus netos vão lembrar desse feito do avô deles” disse.

Apesar de conhecer diferentes e belos lugares, Agnaldo, demostrando amor pelas suas origens, disse que o melhor lugar é o Piauí. “O bom de estar viajando é que a gente aprende bastante. Eu não entendo de economia, mas a gente passa a entender o porquê que o Brasil é o favorito dos investidores. Outra coisa que quero destacar é que não encontrei ninguém melhor que nós piauienses, o calor piauiense é gostoso demais. Quando alguém reclama da sua cidade, do seu lugar, das pessoas onde ele mora, é porque ele ainda não conhece outros lugares. Fui bem recebido na Argentina, fui bem recibo no Uruguai, fui bem recebido no Chile, mas aqui o modo de receber as pessoas é diferente”.

Ele disse que a aventura de sair desbravando o mundo é positiva, pois leva o nome do Piauí. “Fiquei imaginando as pessoas que representam o Piauí no esporte, na música, na poesia e na cultura, e eu aqui representando o Piauí isoladamente, não imaginava essa visibilidade na viagem. Hoje eu entendo, porque são poucas pessoas que se aventuram, poucas pessoas que têm coragem e determinação e a garra de pegar uma mota de baixa cilindrada e sair por aí dizendo ‘Eu sou piauiense’. Atitudes como a minha e de outros piauienses de sair desbravando o mundo, são boas porque leva o nome do Piauí” falou.

Agnaldo falou também que as coisas positivas que vê em outros lugares, tenta passar para as pessoas. “O bom de viajar é que a gente vai vendo uma outra realidade, porque assim, aquela imagem que o Piauí é pobre porque só tem sol, é ilusão, Mendoza só tem gelo. Mas aí as pessoas se perguntam, ‘mas a água de Mendoza vem de onde?’ A água vem das geleiras das montanhas, lá tem outra cultura, você não pode lavar sua moto na porta de casa, não pode lavar sua calçada.  Aqui a gente tem uma cultura errônea de ‘ah eu estou pagando a minha água então eu posso derramar aqui meus 10 litros de água’. Eu não tenho essa cultura, minha cultura é economizar os recursos naturais. São essas coisas que a gente vê em outros lugares e vai passando para as pessoas se conscientizarem”.

O aventureiro já pensa nos próximos destinos internacionais e quer também conhecer todas as cidades do Piauí. “Eu quero ir para Santiago, Osorno e no Deserto do Atacama, no Chile, Bariloche na Argentina, Salinas de Maras e Machu Picchu no Peru, Estrada da Morte e La Paz na Bolívia, e já estou pensando em ir para os Estados Unidos. Eu também tenho o plano de conhecer o Piauí, cidade por cidade, registrar em um livro e mostrar para os meus netos cada cidade que andei e conversei com as pessoas. Outra coisa que quero destacar, que eu achei maravilhoso na Argentina foi o monte Aconcágua, o mais alto fora da Ásia”.

Agnaldo, que divulga suas viagens no Instagram e you tube, convidou as pessoas a o acompanharem nas redes.  “Eu convido você a se inscrever no meu canal do You Tube, Agnaldo cabeça branca, e no Instagram, Agnaldo pelo mundo. Quanto mais apoio, seja no You Tube ou no Instagram, vai motivando a gente” destacou.

Além de conhecer outras culturas, Agnaldo também leva um pouco dos costumes piauienses. “Eu levei minha cuscuzeira, a massa de milho, a goma e fiz meu cuscuz lá na Argentina, na casa de um amigo meu e mostrei para ele como a gente se alimenta pela manhã. Agora eu vou levar uma cachaça regional para um senhor que mora na Cordilheira dos Andes, de frente a um campo de esqui. Ele é uma pessoa muito simpática e peguei amizade com ele e fiz esse compromisso e vou até lá levar. Como agora eu vou de avião talvez eu leve alguma coisa a mais, quem sabe eu levo o buriti para esse senhor (risos)” finalizou.


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