Tráfico e uso de drogas assolam o interior do Piauí. Veja!
Publicado por: Danilo Bezerra | Data: 20/02/16
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Tráfico e uso de drogas assolam o interior do Piauí. Veja!

Um problema que era considerado “exclusivo” das cidades grandes, agora atormenta as cidades do interior: as drogas. O tráfico e uso de entorpecentes está se espalhando para a maioria dos municípios do Piauí, que passaram a ter todos os problemas trazidos por esse “câncer social” como a violência e evasão escolar.

Agora, o velho hábito de sentar nas calçadas no final da tarde está ameaçado. Os pequenos comércios são obrigados a investir em aparatos de seguranças e o que é pior: o futuro dos jovens dessas cidades está comprometido. Segundo dados do Comando de Policiamento do Interior, os municípios mais populosos do Estado possuem um maior índice de consumo de drogas.

De acordo com o tenente-coronel, subchefe do comando do Interior, Antoni Soares, o processo de globalização é fator determinante na expansão das fronteiras onde o crime e as drogas conseguiram chegar. Para ele, para que haja um combate efetivo ao narcotráfico é preciso haver uma cooperação entre governos através de pactos institucionais no combate ao comércio das drogas.

“A globalização traz coisas para o bem e para o mal. Se nós formos buscar um pouco do histórico das drogas na geração passada, o consumo iniciava da de menor efeito para a de maior. Após 20 anos, a realidade é outra. Hoje o consumo já inicia com uso dos entorpecentes mais fortes e por isso o aumento dos dependentes em todo o estado”, avalia.

 (Crédito: Luis Fernando Gonzaga)
(Crédito: Luis Fernando Gonzaga)

O tenente-coronel afirma que o bandido procura sempre diversificar os meios para distribuir a droga, mas os ônibus interestaduais ainda são os principais meios de distribuição. Em 2015, a polícia conseguiu impedir o comércio de aproximadamente R$ 15 milhões com a apreensão de drogas e já nas primeiras semanas de 2016, a média de apreensão é de R$ 500 mil.

Tráfico e uso de drogas aumentam ocorrência de delitos

O subchefe do comando do Interior, tenente-coronel Antoni Soares, relata que o aumento no uso de entorpecentes nas cidades do interior faz aumentar os pequenos delitos, já que usuário precisa alimentar o seu vicio. Além disso, a dependência gera a degradação e desarranjo familiar e social para o jovem. “O impacto imediato está no aumento dos delitos na cidade”, declarou.

Ele disse que a cocaína chega ao Brasil de países produtores como Bolívia, Peru e Colômbia, e entra através das embarcações que atravessam as fronteiras e chegam até São Paulo, onde são distribuídas para todo o país. 80% da maconha produzida no Paraguai vêm para o Brasil. Além disso, existe uma parte que vem da produção de Pernambuco e já existem pontos de fabricação no próprio estado do Piauí.

“Ano passado nós conseguimos desativar uma roça de maconha próximo ao município de Miguel Leão, onde foram apreendidas 10 toneladas da erva”, afirma. Além disso, a droga também entra no Piauí através do uso de carro, viagens de ônibus e outras maneiras que fazem com que o entorpecente chegue no seio da sociedade piauiense. Por isso, a Polícia Militar tem adotado medidas preventivas e repreensivas no combate ao tráfico de drogas.

 (Crédito: Efrém Ribeiro)
(Crédito: Efrém Ribeiro)

“Temos uma companhia ligada às escolas através dos pelotões que fazem um trabalho de vigilância nos entornos dessas escolas. Nós temos trabalhado preventivamente através de palestras com profissionais qualificados para tratar com crianças e adolescentes os problemas das drogas e também temos os pelotões mirins que permitem tirar as crianças da rua e da ociosidade”, completou.

As operações repreensivas são as blitze realizadas na divisas do estado e o serviço reservado faz o trabalho de inteligência com trabalho de investigação para identificar e prender traficantes e apreender drogas.

Polícia trabalha com foco na prevenção

As drogas fazem parte do contexto social de todas as culturas. Desde os primórdios existem relatos de uso de substâncias psicoativas. Tendo consciência de que somente medidas repressivas não são suficientes para conter a disseminação das drogas, a Polícia Militar desenvolve o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd).

 (Crédito: Moisés Saba)
(Crédito: Moisés Saba)

De acordo com a major Elizete Lima, coordenadora estadual do Programa no Piauí, a sociedade vive em um ambiente em que a população acredita que até mesmo o uso exagerado do álcool, considerado uma droga lícita, é normal. As drogas estão no meio social causando problemas e o interior do estado não está mais alheio ao consumo abusivo. Por menor que seja o município, já foi identificado um número crescente do uso de entorpecentes.

Uma pesquisa do Tribunal de Justiça revelou que entre a população carcerária do Piauí, cerca de 45% dos homens estão cumprindo pena por tráfico de drogas, entre as mulheres mais de 65% estão presas por conta do mesmo delito.

Major Elizete Lima, que é pós-graduada em Políticas Públicas sobre Drogas, acredita que somente a medida repreensiva não é suficiente para combater a avanço das drogas em todos os setores da sociedade. Ela lembra que a Polícia Militar estoura inúmeras bocas de fumo e prende centenas de traficantes por ano, mas nem por isso os índices de tráfico e consumo de drogas diminuem consideravelmente.

Major Elizete acredita que ações repressivas e educacionais podem evitar a disseminação das drogas. (Crédito: Moisés Saba)
Major Elizete acredita que ações repressivas e educacionais podem evitar a disseminação das drogas. (Crédito: Moisés Saba)

Segundo ela, é preciso também trabalhar com a prevenção entre os jovens, conscientizá-los de todos os malefícios que a droga vai trazer para a sua vida e mostrar todas as consequências que aquela ação vai trazer para a sua vida.

“É por isso que estamos investindo em um programa social de prevenção às drogas, policiais militares são capacitados para irem as salas de aula ensinar aos adolescentes a dizer não às drogas e à violência. São 10 semanas trabalhando com temas diferentes, para ajudar essas crianças a não se tornar um dependente químico. O Proerd funciona no tripé entre a família, escola e a policiais, sempre com o foco na prevenção”, afirmou.

Projeto acompanha 60 municípios do Piauí

Proerd realiza palestras de conscientização nas escolas do Piauí (Crédito: Moisés Saba)
Proerd realiza palestras de conscientização nas escolas do Piauí (Crédito: Moisés Saba)

Os dados da coordenadora do projeto apontam que já são cerca de 60 municípios onde a semente do Proerd já foi plantada e em todas, os gestores, professores e familiares revelam que as drogas são um mal que acomete o meio social. Por isso mesmo, a partir de quarta-feira (24), será realizado um curso de capacitação entre os policiais dos estados do Piauí, Maranhão, Ceará, Pernambuco e Pará voltado para orientar os pais das crianças a trabalhar com seus filhos a conscientização para viver em um mundo longe das drogas.

Ela acrescenta que os policiais vão para as comunidades ensinar como lidar com o tema drogas em primeira instância. “A importância da família é indispensável para política de prevenção às drogas. Os pais são fundamentais nesse processo. Sem eles é como se estivéssemos em uma cadeira sem uma das rodas. Nós trabalhamos com todos os modelos de famílias – pais separados, produção independente e casais homoafetivos”, ressaltou.

Para major Elizete Lima, as consequências do uso abusivo das drogas é imensurável e o maior dos malefícios talvez não seja a morte do dependente, mas a morte social, pois ele corrói toda a família e a sociedade cometendo delitos e vivendo e ingressando no mundo da criminalidade.
“É preciso que os pais acompanhem a vida escolar dos filhos, pois se eles não os visitarem na instituição de ensino, mais tarde eles podem estar indo visitá-los no cemitério ou em alguma penitenciária e será tarde demais para fazer alguma coisa”, concluiu.

Serviço social atua em prol da reabilitação

Os assistentes sociais se deparam em seus atendimentos diários com o enfrentamento à questão das drogas. De acordo com a profissional Lais Chaves, que atua no Núcleo de Apoio à Saúde da Família – NASF, do município de Monsenhor Gil (59 km de Teresina), o trabalho é realizado através da prevenção, informação e quando é detectando a presença de algum usuário na família o primeiro passo é tentar resgatar e reabilitar essa pessoa para o convívio social saudável e também é realizado um acompanhamento no sentido de orientar os demais familiares de como lidar com a situação.

“Nesses casos não apenas o usuário está doente, mas toda a família, por isso todos os membros merecem cuidado. Nós começamos a fazer o acompanhamento de todos os parentes, principalmente das mães, pois elas costumam ser a pessoa que acompanha o usuário mais de perto”, afirmou. Segundo a especialista em Saúde da Família, são realizadas também visitas familiares ou a própria família procura por ajuda no NASF.

A disseminação das drogas, principalmente nos setores populares, tem sido tema em diversos setores da sociedade e de acordo com a assistente social, os principais problemas trazidos com o avanço das drogas são as brigas dentro do ambiente familiar, que passam a não ter o mesmo comportamento, além dos furtos cometidos pelo usuário para poder alimentar o vício, até o ponto em que chega a decadência total desse usuário e de seus familiares.

Prevenção
Lais Chaves ressalta que as principais ações promovidas no sentido de conscientização e prevenção ao uso das drogas no município, principalmente entre crianças e adolescentes, é através de palestras e campanhas nas escolas.

“As famílias só procuram ajuda quando a situação está bem avançada e quando a situação chega até a gente nós procuramos fazer todo atendimento. Mas nós ainda temos problemas no sentido de referenciar essas pessoas que são assistidas, pois não temos nenhum Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS) para fazer o acompanhamento desse usuário”, ressaltou.

Uma das alternativa é organizar um sistema de transferir para Teresina, mas de acordo com a assistente social, essa situação é bem complicada, pois envolve a distância e locomoção dessas pessoas, já que a maioria das famílias atendidas é carente, além da dificuldade em fazer o usuário entender que precisa de ajuda.

“Uma outra situação que vivenciamos nos municípios é a chegada de traficantes que vão se esconder na cidade por um período e acabam levando drogas para a cidade e aumentando o consumo dos entorpecentes”, observa.

 

 

Fonte: J. Meio Norte

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