Quase metade das mulheres assassinadas no Piauí em 2018 foram vítimas de feminicídio
Publicado por: Odaliana Carvalho Veloso | Data: 31/12/18

Quase metade das mulheres assassinadas no Piauí em 2018 foram vítimas de feminicídio

Dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública revelam que quase 50% das mulheres assassinadas no Piauí neste ano foram vítimas de feminicídio. O número é alarmante e preocupa autoridades porque significa que pessoas do sexo feminino estão sendo mortas no Estado por questões de gênero, em razão do ódio à condição feminina.

Em 2018, 55 mulheres foram assassinadas no Piauí. 25 delas sofreram feminicídio, o que corresponde ao percentual de 45.5% do total de assassinatos. “Isso quer dizer que está comprovado que quase metade das mulheres mortas no Estado foram vítimas de feminicídio. Estão morrendo porque são mulheres. Esses dados  no alerta sempre”, observa a subsecretária de Segurança Pública, Eugênia Villa.

A subsecretária conta que a maioria desses assassinatos foi praticada na casa das vítimas e cometida por companheiros, ex-namorados ou alguma pessoa com quem ela mantinha relações interpessoais. “E esse crime acontece mais durante à noite, no final de semana e com uso faca. Então são aspectos do crime que nos preocupa porque não é um crime que seja anunciado pela polícia”, comenta.

Dos 25 feminicídios registrados no Piauí em 2018, nove foram praticados em Teresina e 16 no interior. Chama atenção da subsecretária que não havia nenhuma medida protetiva para estas mulheres que foram assassinadas.

Fotos:Arquivo/Cidadeverde.com

“Elas morrem em silêncio. Elas não vão à delegacia. E como é que a gente pode chegar antes do assassinato? A única forma é a gente ter conhecimento de que ela está em situação de violência através de registro de Boletim de Ocorrência, procura de centro de atendimento, unidade policial, plantão de gênero ou distrito policial. Mas isso não está acontecendo no Piauí”, diz Eugênia.

Segundo estudos da secretaria, a maioria das vítimas de feminicídio no Piauí tem uma face: é negra, adulta e trabalhadora rural. É por isso que ações de combate à violência contra mulher estão sendo intensificadas no interior do Estado.

“É preciso fazer um trabalho mais forte e intenso nas comunidades rurais. Por isso vamos criar a delegacia da Mulher do Campo, da Floresta e das Águas. É uma estratégia que vai nos proporcionar a visibilidade das violências sofridas pelas mulheres trabalhadoras rurais”, adianta a subsecretária.

A delegacia da Mulher do Campo, da Floresta e das Águas será implementada ao fim do concurso da Polícia Civil quando uma delegada será nomeada para ser titular da especializada.  A delegacia da Mulher do Campo, da Floresta e das Águas vai funcionar a partir de metodologias e diagnósticos próprios após estudos nas comunidades rurais.

Plantão de Gênero é pronto socorro

De 2017 para 2018 houve redução no número de feminicídio no interior do Estado. No ano passado foram 26 no total, deste seis na capital e 20 em outros municípios. O Piauí é pioneiro no registro destes dados.

“Na capital ampliamos os atendimentos dos plantões de gênero. No dia 8 de março de 2018 ampliamos para 24 horas em sete dias das semanas. São duas delegadas diariamente. Isso fez com que dobrasse o registro de ocorrências”, conta.

Foto: Pixabay/Divulgação

A delegada pede que as mulheres de procurem as delegacia e denunciem. O plantão de gênero tem sido uma espécie de “pronto socorro” da mulher na capital. O crime mais registrado na divisão é ameaça. Segundo lugar, violência moral e terceiro a lesão corporal.

“E é ameaça de morte. A ameaça antecede o feminicídio. É preciso a gente ter muito cuidado com a ameaça. Não temos que esperar que a mulher tenha vestígios físicos para que a gente acione toda engrenagem de proteção a mulher”, analisa Eugênia Villa.

Salve Maria: tecnologia que socorre mulheres

Criado em março de 2017 o aplicativo Salve Maria é uma importante tecnologia de combate à violência de gênero. Desde sua criação, o app que recebe denúncia anônimas teve 20.830 downloads. Deste, 6.315 estão ativos.

As mensagens são enviadas através de um canal seguro e recebidas por um servidor público que dará seguimento para que sejam tomadas as providências cabíveis ao caso.

“É uma política que vem avançando a cada dia e que está salvando mulheres. Mas é preciso que as mulheres conheçam mais esse aplicativo”, orienta Eugênia Villa, uma das idealizadora da ferramenta. Em 2018 o número de downloads e acionamentos ao Salve Maria “triplicou”.

Neste ano o aplicativo teve 478 acionamentos. Em 2017 foram 130. As maiores denúncias registradas no aplicativo são de violência física[307], psicológica [77], moral [49], sexual [18], sendo dez vítimas menores de idade] e patrimonial [5]. O Botão do Pânico foi apertado 152 vezes (todas por violência física). Os dados são da Agência de Tecnologia da Informação.

Ao apertar o botão do pânico, a Polícia Militar é acionada e deve fazer o atendimento urgente da vítima. A ferramenta já foi acionada em mais de 27 municípios do Piauí e a secretaria de Segurança Pública quer expandir, mais ainda, as informações sobre o Salve Maria. O botão pode ser acionado em situações de emergência, inclusive durante assaltos.

 “Para que as mulheres conheçam mais o aplicativo realizamos a Caravana Salve Maria, que consiste na expansão do aplicativo no interior.  Nós vamos nas unidades da policia militar e civil no interior para ver quais são as carências e capacitamos policiais civis e militares. E lá estabelecemos quem será o gestor ou gestora do aplicativo Salve Maria na região. É uma experiência muito boa e que dá resultado”, observa.

A caravana também consiste na capacitação dos policiais civis na investigação dos feminicídios. “Fazemos análises de casos em que a gente teve erros na investigação e mostramos como a gente pode superar essas fragilidades a fim de ter um delineamento bem consistente do feminicídio. Haja vista que é um crime cuja as nuances são politicas. Porque recai sobre a superfície biopolítica. A mulher morre pelo fato de ser mulher. É muito complexa a investigação do feminicídio”, pondera Eugênia Villa.

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Fonte: Cidade Verde  

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