Sem água e com racionamento, Piauí vê 5ª maior lagoa do país virar cinzas
Publicado por: Odaliana Carvalho Veloso | Data: 16/10/15

Sem água e com racionamento, Piauí vê 5ª maior lagoa do país virar cinzas

A cidade de Parnaguá, a 825 quilômetros de Teresina, já se orgulhou de ter a quinta maior lagoa natural do Brasil. Nos últimos cinco anos, porém, os 72 quilômetros quadrados de água praticamente desapareceram. Com a seca da reserva de água doce, o município passa por dificuldades e convive com o racionamento. Pior: o que antes era espelho d’água, hoje é palco de inúmeros focos de incêndio.

A última queimada na Lagoa de Parnaguá aconteceu na quarta-feira (14). O fogo se espalhou pelo leito seco e agravou uma situação já crítica: no fim de setembro, o município teve o maior número de focos de calor no país em um intervalo de 48 horas – naquela oportunidade, a cidade registrou 45 incêndios em dois dias. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (INPE).

“A região inteira está sofrendo com incêndios. Não é só Parnaguá. Corrente, Cristalândia, Curimatá e outras cidades da região estão enfrentando o mesmo problema. O incêndio pegou na lagoa porque lá está seco, sem água há muito tempo. É um local onde as pessoas colocam fogo sem um mínimo de cuidado”, lamentou a prefeita Anna Cecília Silveira Rissi.

Sem a água que antes abundava na Lagoa de Parnaguá, a cidade vai minguando e o abastecimento sofre com o racionamento. “Á água em Parnaguá hoje é racionada. Em um dia, metade da cidade tem água. No outro, é a ver da outra metade. E ainda temos que abastecer a zona rural”, comentou a prefeita do município que tem pouco mais de 10 mil habitantes.

Segundo Anna Cecília, até mesmo o combate aos inúmeros focos de incêndio na cidade fica comprometido. Às vezes, sequer acontece. “A lagoa era o ponto de concentração de água de Parnaguá. Não temos condições de enviar carro-pipa para acabar com o fogo simplesmente porque não há água”, suspirou, antes de revelar um dilema que vem se repetindo ano após ano. “Nossa prioridade é o povo, que não tem água”.

Agespisa fura poços, mas problema persiste

Desde que a Lagoa de Parnaguá secou, a cidade sofre quando o assunto é abastecimento. Para tentar contornar o problema, a Agespisa furou cinco poços no município. “Os poços ajudam a abastecer a cidade, mas mesmo assim há racionamento. Já solicitamos a perfuração de mais poços e recebemos promessa de que isso seria feito, mas Parnaguá tem um solo difícil de achar água”, lastimou.

Com a promessa de que novos poços serão perfurados na cidade, a Prefeitura de Parnaguá tenta convencer a população a ajudar a, pelo menos, preservar a área de mais de 70 quilômetros que antes era coberta água. “Já acionamos a Promotoria e órgãos como o Ibama sobre a questão das queimadas. Até curso de prevenção contra incêndio nós já promovemos”, disse referindo-se ao local que já foi o principal cartão postal da região.

Degradação

Em 2010, o Ibama já havia alertado que a Lagoa de Parnaguá estava morrendo. As principais preocupações do órgão com o cartão postal se referiam ao desmatamento descontrolado das matas ciliares. Desde aquele tempo, as queimadas também já eram vistas como vilãs. Três anos mais tarde, o que era previsão se tornou realidade.

 

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