Série Orgulho do Piauí | Foi no PI que a humanidade pisou pela 1ª vez
Publicado por: Josely Carvalho | Data: 19/10/17

Série Orgulho do Piauí | Foi no PI que a humanidade pisou pela 1ª vez

Os livros de história apontam: as descobertas feitas no Parque Nacional da Serra da Capivara não deixam dúvidas de que o primeiro lugar onde o homem esteve na América foi o Piauí. Foi aqui que a humanidade pisou pela primeira vez na América.

A reportagem do OitoMeia foi a um dos maiores orgulhos do piauiense: o Parque Nacional Serra da Capivara, que tem sua localização percorrendo pelas cidades de São Raimundo Nonato, Coronel José Dias, Brejo do Piauí e João Costa. Localizado a 530 km ao Sudeste de Teresina, o local é conhecido mundialmente como Berço do Homem Americano. Nada melhor que dar sequência à série de reportagens “Orgulho do Meu Piauí”, justamente no Dia do Piauí, nesta quinta-feira (19/10), falando de um dos principais pontos turísticos do estado.

Cravado no meio da caatinga que um dia já foi mar (sim, o sertão comumente seco do Piauí já foi mar e tinha água em abundância há cerca de 470 mil anos) o Parque Nacional da Serra da Capivara tem cerca de 918 km². Criado em 1979, o local possui mais de 900 sítios arqueológicos que trazem em suas paredes de pedra pinturas rupestres das mais variadas que relatam como viviam os homens primitivos que habitaram o local a pelo menos 12 mil anos de acordo com a datação feito através das pinturas.

Pedra Furada é um dos principais cartões-postais do Piauí (Foto: Victor Costa / OitoMeia)

NIÉDE GUIDON: PRECURSORA E SEU LEGADO
O Parque Serra da Capivara, no entanto, tem comprovações de que o homem pisou em território piauiense há pelo menos a 50 mil anos. Tal datação se dá por vestígios de que o homem passou pelo local e deixou rastros, como uma fogueira que teria sido acendida pelo homem primitivo que era itinerante por viver da caça e pesca.

Atualmente administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da biodiversidade (ICMBIO) em cooperação com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Fundação do Homem Americano (FUMDHAM), o Parque Nacional Serra da Capivara teve a sua importância mostrada ao mundo principalmente pelas mãos da arqueólogo franco-brasileira Niéde Guidon.

Parque Nacional da Serra da Capivara é gerido pelo ICMBio, Iphan e Fumdam (Foto: Victor Costa / OitoMeia)

Niéde chegou à região ainda na década de 60, logo após uma exposição de pinturas rupestres em Minas Gerais, onde ouviu falar que no Piauí haviam pinturas em paredões de pedra semelhantes àquelas apresentadas. A curiosidade surgiu e Niéde foi até o sertão piauiense e constatou que eram pinturas rupestres de milhares de anos.

Atualmente com 84 anos, Niéde se mudou para São Raimundo Nonato de “mala e cuia” em meados dos anos 70, iniciando os trabalhos em 1973 através da Missão Arqueológica Franco-Brasileira, principal responsável pela forma como foram tratadas as descobertas no Parque.

De lá para cá a Serra da Capivara viveu um boom de pesquisas, estruturação, visitas, e oportunidades. A estrutura do Parque vai desde a construção de passarelas e sinalização por todas as trilhas até ao apoio ao visitante que pode contar com guias turísticos, restaurantes e até uma pousada no interior do Parque.

Estrutura de passarelas deixa visita ao Parque mais confortável aos turistas (Foto: Victor Costa / OitoMeia)

QUER VISITAR A SERRA: DE ÔNIBUS OU DE AVIÃO?
Saindo de Teresina, o principal meio de transporte até o Parque Nacional da Serra da Capivara pode ser a ida usando o carro próprio ou de ônibus, através das empresas Transpiauí e Princesa do Sul, que percorrem os 530 km da linha Teresina – São Raimundo Nonato duas vezes por dia. As saídas ocorrem às 14h e às 20h30. A passagem custa R$ 98 (com taxa de embarque).

Mas há opção de ir de avião, desembarcando no famoso Aeroporto Serra da Capivara, que homenageia o parque ao ser construído em formato de uma capivara.  Os voos são realizados através da empresa TWFly, que faz parte do projeto Voa Piauí e que tem voos de Teresina a São Raimundo Nonato às segundas e às quintas-feiras por R$249.

Aeroporto de São Raimundo Nonato construído no formato de uma capivara homenageia o parque (Foto: Divulgação)

Ao chegar em São Raimundo Nonato, as opções de hotéis e pousadas são variadas e há diárias com bons preços, variando de acordo com o local da hospedagem. De São Raimundo Nonato para o Parque Nacional da Serra da Capivara são 33km de estrada asfaltada, conservada e bem sinalizada.

Os guias turísticos, que são de contratação obrigatória dos visitantes para percorrer os sítios arqueológicos no Parque, custam cerca de R$ 150 e acompanham um grupo de até oito pessoas. Em caso de visitantes sem carro no local, é necessário contratar um motorista na cidade. Na entrada do Parque, o valor para a visitação é de R$ 17 por turista.

Obrigatórios para as visitas, o Guias mostram o Parque explicando detalhes de sua história (Foto: Victor Costa / OitoMeia)

A VISITA, A BELEZA DAPAISAGEM E A HISTÓRIA VIVA
A reportagem do OitoMeia fez o passeio. E recomenda: vale muito a pena! A visita inicia pelas trilhas que levam até o primeiro ponto onde a paisagem já comprova que será um dia de boas memórias para o futuro. O Mirante das Mangueiras mostra as formações rochosas de arenito, a flora da caatinga seca com suspiros verdes de árvores protegidas pelos paredões e ainda reservou uma visita de um macaco-prego que passeava pelo Parque durante a manhã.

Vista panorâmica do Mirante das Mangabeiras no Parque Serra da Capivara (Foto: Victor Costa / OitoMeia)

Descemos e partimos em busca das artes desenhadas por homens que por ali passaram há mais de 12 mil anos e relataram as suas atividades diárias riscando as paredes com pedras hematita ou calonita, deixando suas marcas nos tons vermelhos, cinzas ou amarelados.

Pinturas rupestres mostram como eram o dia a dia do homem primitivo (Foto: Victor Costa / OitoMeia)

Após passar por alguns dos mais de 900 sítios arqueológicos já descobertos, chegamos ao Boqueirão da Pedra Furada, o principal cartão do Parque Nacional da Serra da Capivara, que revela a beleza da Pedra Furada e ainda as pinturas rupestres mais conhecidas, que simbolizam o Parque, como ‘O beijo’ e ‘As Capivaras’.

‘O Beijo’ e ‘As Capivaras’ lado a lado no Boqueirão da Pedra Furada (Foto: Victor Costa / OitoMeia)

Na pausa para o almoço, o local escolhido é o restaurante localizado dentro do próprio Parque que, além de restaurante, também conta com albergue, pousada, fábrica de cerâmicas e oficina de camisetas. Uma boa estrutura de atendimento ao visitante.

Loja no Parque Nacional Serra da Capivara vende produtos produzidos por artesãos locais (Foto: Victor Costa / OitoMeia)

A tarde foi reservada para conhecer o Museu do Homem Americano. O local foi criado com o objetivo de divulgar a importância do patrimônio cultural deixado pelos povos pré-históricos na região Sudeste do Piauí e mostra os resultados dos anos de pesquisas sendo realizadas. No retorno à São Raimundo Nonato, a certeza: memórias que serão guardadas para sempre. Confira a galeria com belas imagens de um dos maiores orgulhos não só do Piauí, mas de todo o Brasil, de todo o mundo!

 Fonte: Oito Meia

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Josely Carvalho
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Jornalista e Relações Públicas, formada pela Universidade Estadual do Piauí.

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