Piauí é o 2º do Nordeste em trabalho escravo e procurador prevê que situação piore
Publicado por: Josely Carvalho | Data: 27/09/17

Piauí é o 2º do Nordeste em trabalho escravo e procurador prevê que situação piore

O procurador do Trabalho, Edno Carvalho, está pessimista em relação ao combate do trabalho análogo à escravidão no Piauí. Carvalho fez uma análise, nesta quarta-feira (27), sobre a diminuição das fiscalizações por parte de auditores da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego.  A interrupção ocorreu após o corte orçamentário de 70% das verbas federais, que forçou a superintendência a parar de participar das ações.

Dados apresentados pelo Ministério Público do Trabalho mostram o Piauí em segundo lugar no ranking dos estados do Nordeste onde mais trabalhadores são resgatados em situação análoga à escravidão, ficando atrás do Maranhão e Bahia. No ranking nacional, o Estado aparece na 12º posição.

Entre os municípios piauienses que se destacam neste tipo de exploração do trabalhador, estão Redenção do Gurgueia (164 trabalhadores resgatados), Jerumenha (88), Picos (61) e Parnaíba (52). Os dados são referentes às fiscalizações feitas de 2003 a 2017.

“O Ministério Público esta tentando fazer essas operações mesmo sem está acompanhado dos auditores fiscais. A partir do momento que a fiscalização para de realizar essas operações, este tipo de trabalho análogo à escravidão tende a aumentar. Diante dessa condição, a situação de trabalho análogo à escravidão no Piauí deve se agravar nos próximos anos em relação aos cortes orçamentário do governo federal”, prevê o procurador.

Para se ter uma ideia do impacto do corte de verbas federais nas fiscalizações de combate ao trabalho escravo, em 2016  foram feitas 106 operações em todo Piauí. Neste ano, esse número caiu para 18.  Na semana passada, na cidade  São José do Peixe, 26 trabalhadores foram resgatados de uma carvoaria.

Os maiores registros de trabalho análogo à escravidão no Piauí estão presentes nos setores da extração da palha da carnaúba e em carvoarias.

O Ministério Público do Trabalho moveu ação civil pública contra a União pleiteando recursos para continuar realizando operações de combate ao trabalho escravo. A expectativa do procurador é de que a ação seja exitosa para contornar os problemas.

Fonte: Cidade Verde

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