Um mês após tragédia no Parque Rodoviário, morador revela traumas: ‘Nunca vou esquecer’
Publicado por: Francieldo Araújo | Data: 04/05/19

Um mês após tragédia no Parque Rodoviário, morador revela traumas: ‘Nunca vou esquecer’

Trinta dias depois de ter sua casa arrasada pela enxurrada que atingiu o bairro Parque Rodoviário, na Zona Sul de Teresina, o senhor Erismar Sampaio, de 43 anos, ainda carrega na mente o momento em que teve a casa arrasada pela enxurrada que atingiu o bairro Parque Rodoviário, na Zona Sul de Teresina. Até mesmo a cadela Pipoca, que foi salva por ele durante a tragédia, ficou marcada pelo susto. “Acho que está traumatizada”.

“Eu estava aqui em casa assistindo televisão, e ouvi aquela confusão na rua, o povo gritando, ‘Valei-me Deus, corre todo mundo’”, relembra. “Só vim entender o que estava acontecendo quando vi as casas sendo destruídas. Vi três sendo destruídas na minha frente. Eu pensei: agora vou ser o próximo”.

Erismar foi levado pela enxurrada, junto com todos os móveis, roupas e objetos que tinha em casa. Viu passar ao seu lado na correnteza o carro de um vizinho. Conseguiu salvar a si, sua esposa e os animais de estimação: dois cachorros e três gatos, na noite de 4 de abril.

O comportamento da cadela Pipoca, primeira entre os animais de estimação de Erismar a ser salva, mudou após a tragédia. “Quando a gente sai ela fica latindo, parece que não quer ficar só em casa. E antes não era assim, era quietinha”, disse.

Pipoca foi encontrada boiando em cima da cama do dono  — Foto: José Marcelo/G1

Pipoca foi encontrada boiando em cima da cama do dono — Foto: José Marcelo/G1

Além deles, Erismar salvou crianças e idosos de serem levados pela enxurrada. “Eu não me aquietei. Só fui tomar um banho, trocar de roupa e tirar um cochilo 24 horas depois”, conta.

Os sinais de reconstrução no bairro Parque Rodoviário ainda são tímidos. Um rastro de entulho, lama, e dor ainda corta o bairro da Zona Sul de Teresina atingido pela enxurrada quando um muro que represava uma grande quantidade de água no terreno de um clube se rompeu. A enxurrada destruiu mais de trinta casas, deixou duas pessoas mortas e dezenas desabrigadas.

Hoje, todos os objetos dentro da casa de Erismar, das roupas à geladeira, são fruto de doações dos vizinhos e das igrejas do bairro. Segundo ele, a solidariedade entre os moradores do Parque Rodoviário foi o que garantiu a sobrevivência de todos tanto durante o resgate dos feridos como nos dias que se seguiram.

“Não recebemos nada da Prefeitura, ajuda nenhuma. Se não fosse os vizinhos, que nas horas das necessidades ajudam mesmo, não sei como seria”, disse.

Cenário de guerra

Dezenas de pessoas ajudaram no resgate das vítimas da enxurrada no Parque Rodoviário. Bombeiros, médicos e enfermeiros, policiais civis e militares, técnicos da Defesa Civil e voluntários se uniram para tentar reduzir os danos e salvar vidas.

tenente do Corpo de Bombeiros Juarez Júnior — Foto: Reprodução/TV Clube

tenente do Corpo de Bombeiros Juarez Júnior — Foto: Reprodução/TV Clube

O tenente Juarez Júnior, do Corpo de Bombeiros de Teresina, comandante de socorro na noite do dia 4 de abril. Em entrevista ao G1, ele relembrou a surpresa ao encontrar uma situação de tamanha gravidade.“Você vê aquela situação de desespero, você vê várias pessoas pedindo socorro, você não sabe bem qual o local que você vai atender que tem que priorizar…”, comentou.

O encontro com um dos moradores atingidos pela tragédia marcou a memória do bombeiro. “Lembro bastante de um morador que chegou a nós e perguntava:‘cadê a minha residência? Eu moro aqui com minha esposa, moro aqui com minha filha’. Ou seja, algo inacreditável pra ele”.

Dezenas de casas foram atingidas pela água em tragédia no Parque Rodoviário, Zona Sul de Teresina  — Foto: Gilcilene Araújo/G1

Dezenas de casas foram atingidas pela água em tragédia no Parque Rodoviário, Zona Sul de Teresina — Foto: Gilcilene Araújo/G1

Os bombeiros foram acionados às 21h01. De acordo com o tenente Juarez, seis minutos mais tarde estavam atuando no resgate às vítimas da tragédia. “Todo o efetivo que nós tínhamos naquele dia foi empregado. Foi chamado pessoal extra, que estava em casa, pessoal que estava de sobreaviso”, lembra.

O tenente teve de coordenar diversas equipes em uma operação que durou quase 16 horas ininterruptas. “Naquela situação eu tinha bombeiros que tem cursos de resgates em estruturas colapsadas, com mais de 26 anos, recém-formados e, e nenhum deles jamais tinha visto algo como aquilo”

Fonte: G1 Piauí


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