EXLUSIVO | Presidente da Agespisa concede entrevista e fala sobre o abastecimento de água em Jaicós
Publicado por: Danilo Bezerra | Data: 01/11/14

EXLUSIVO | Presidente da Agespisa concede entrevista e fala sobre o abastecimento de água em Jaicós

Em entrevista exclusiva concedida ao portal Cidades na Net, o diretor presidente da Agespisa, José Augusto Nunes, falou sobre a problemática do abastecimento de água da centenária cidade de Jaicós.

A população urbana do município, estimada em cerca de 10 mil habitantes, vem sofrendo com a falta de água desde que o açude Tiririca, então responsável pelo abastecimento da cidade, ficou, definitivamente, sem condições de atender a demanda da população, no ano de 2012.

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Açude Tiririca seco

As previsões antecipadas não foram suficientes para que governantes tomassem medidas para solucionar o problema à vista. Em 2011, o então governador Wilson Martins anunciou – após audiência com o ministro da Integração Nacional – que havia assegurado recursos de ordem de R$ 8 milhões para a construção da adutora que levaria água da barragem Poço de Marruá até a cidade de Jaicós. Três anos se passaram e tudo ficou apenas em promessas.

Para evitar um colapso total, a Agespisa tomou medidas paliativas e perfurou poços tubulares em diversos pontos da cidade. Hoje, a água captada dessas fontes, abastecem apenas uma parcela da população. Outra parte continua sofrendo, tendo que comprar água com alto custo.

Perfuração de poços em Jaicós

Apesar da má qualidade do serviço prestado pela Agespisa no município, as taxas continuam sendo cobradas dos consumidores, até mesmo daqueles que não recebem água nas torneiras. Sobre as cobranças, José Augusto informou que a Diretoria Comercial da Agespisa está analisando a suspensão das cobranças.

“Foi determinado na metade do mês passado [outubro] que a diretoria comercial, conduzida pelo Zé Marques, e assessorada pelo vice-presidente Sampaio, suspendesse toda o faturamento desses bairros onde não chega água. Estamos avaliando se há razão para continuar o faturamento, e não havendo, nós vamos suspendê-lo. Nós não queremos tirar nada das pessoas, queremos apenas receber por aquilo que entregamos, e se não estamos levando a água, não tem razão para ter o faturamento”, disse, acrescentando que a suspensão das cobranças já foi autorizada para uma parte da cidade.

A cidade de Jaicós, hoje, é considerada autossuficiente em água. Poços particulares garantem, através da operação pipa, o abastecimento da zona rural do próprio município, e também dos municípios de Massapê do Piauí, Belém do Piauí e Francisco Macedo. No entanto, a cidade que comercializa grandes volumes de água, sofre com a falta do líquido.

Sobre esse assunto, José Augusto disse conhecer a realidade.  “Já estamos propondo soluções no sentido de alugar poços privados para que possamos atender a cidade, ou pelo menos uma parte de Jaicós. Mas algumas vezes o preço não é compatível por conta da situação que nós encontramos o órgão. Isso também está sendo avaliado. Todas essas são medidas paliativas e visam amenizar o problema atual. Mas, ao mesmo tempo, estamos trabalhando para acabar definitivamente com a falta de água em Jaicós”, disse.

Vista aérea da barragem de Estreito - Foto: PM Francisco Macedo

Vista aérea da barragem de Estreito – Foto: PM Francisco Macedo

“Nós estamos animados em encontrar a solução”, pontuou o diretor. Segundo ele, existe um recurso assegurado pelo Governo Federal, através da Codevasf, em parceria com o Governo do Estado. O objeto é a retomada das obras de construção da Adutora do Sudeste, que levará água da barragem de Estreito para as cidades Jaicós, Marcolândia e Caldeirão Grande. “É um empreendimento a médio prazo, tendo em vista as estruturas das adutoras que já estão montadas. A prova disso é a solução rápida que encontramos para Belém e Padre Marcos. Acredito que logo nos vamos estar com essa situação de Jaicós resolvida. Nós, como gestores, estamos buscando a solução, e não há outra alternativa para Jaicós que não seja a Adutora do Sudeste, e agora, definitivamente autorizada pelo TCU a ser concluída com recursos da Codevasf e Ministério da Integração”, informou Augusto.

Ainda segundo o gestor da Agespisa, a obra está licitada e contratada. “São recursos na ordem de 20 milhões de reais, portanto, suficiente para fazer adutora com suas mediações, com elevatórios e estacoes de tratamento de água, para que abasteça essas populações do semiárido que tanto reclama. É difícil a gente pedir paciência, mas é preciso”, pontuou.

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