PI | Ex policial é aprontado como líder de grupo suspeito de roubo, homicídio e pistolagem
Publicado por: Josely Carvalho | Data: 02/12/19

PI | Ex policial é aprontado como líder de grupo suspeito de roubo, homicídio e pistolagem

Áudios divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí mostram policiais militares do Piauí comentando crimes que são suspeitos de praticar, incluindo roubo, homicídio e pistolagem. Em um dos trechos divulgados pela SSP, o ex-policial Wanderley Silva, considerado líder do grupo pelo Secretário de Segurança, Fábio Abreu, diz estar com “saudade de matar” e, em outro, diz ter pedido R$ 20 mil para matar uma pessoa. O G1 não conseguiu contato com a defesa dos policiais.

De acordo com o Greco, os policiais estavam sendo investigados inicialmente por roubo de carga, mas com o decorrer da apuração, crimes de pistolagem, homicídio e tráfico também foram descobertos. Ainda não foi informado quando os áudios foram feitos, mas a investigação teve início após o roubo de uma grande carga de televisores em maio deste ano.

Televisores foram apreendidos em casa no Parque Vitória — Foto: Divulgação/SSP

Televisores foram apreendidos em casa no Parque Vitória — Foto: Divulgação/SSP

O ex-cabo da Polícia Militar do Piauí, Wanderley Silva, é investigado desde 2017, quando R$ 300 mil desapareceram após uma tentativa de assalto a banco. Ele foi expulso da corporação em outubro deste ano. O caso ainda está sob investigação. Ele chegou a ser preso, mas foi posto em liberdade meses depois.

Ele também teve envolvimento em uma discussão onde baleou o cantor Saulo Dugado, em maio de 2018, em uma padaria da Zona Leste de Teresina.

Dinheiro que seria roubado do banco foi apreendido, mas parte dele sumiu — Foto: Divulgação/Polícia Militar

Dinheiro que seria roubado do banco foi apreendido, mas parte dele sumiu — Foto: Divulgação/Polícia Militar

‘Saudade de matar’

Em outra conversa, o policial René Carvalho chama Wanderley para agredir uma pessoa que estaria incomodando sua família, mas pede que a vítima não seja morta. Wanderley diz então que está com saudade de matar.

“Vou caçar uma ripa aqui que é bom dar nele é de ripa, não é de mão, não. Porque tem que ser rapidinho pra não inflamar de gente”.

Wanderley questiona: “Beleza e porque não derrua logo esse moleque?”

“Não, pode matar não, se matar vai dar confusão aqui. É só dar uma ripada boa mesmo. Se tivesse feito alguma coisa mais grave, quem tinha matado era eu mesmo”.

Wanderley finaliza: “Estou com saudade, nunca mais matei ninguém, ô tristeza. Tirar um diazinho pra nós rodar…”.

R$ 10 mil para agredir e R$ 20 mil para matar

Em um dos trechos, o ex-policial Wanderley Silva diz que conseguiu um “contrato” para receber $ 10 mil para agredir alguém. Ele diz ainda que havia pedido o dobre para matar a vítima, mas que não recebeu autorização para o homicídio.

“Ei, Papada, estou indo falar com o Hudson aqui, tem um contrato pra nós, viu, parece que fechou lá R$ 10 mil só pra dar um pau num vagabundo (…) estou indo falar com ele. Eu tinha pedido R$ 20 mil pra ‘derrubar’, mas o cara não quer ‘derrubar’ de jeito nenhum, quer só que dê um pau bem dado”, diz.

Pistoleiros

Em outro trecho, ele pede ajuda para comprar uma pistola, porque estaria apenas com um revólver. Em tom irônico, em outros trechos, ele comenta sobre todos serem “pistoleiros”.

“Vê como é que tu me ajuda pra comprar a pistola. Tu é doido, tô andando só com o oitão aqui. Ainda mais nós que somos pistoleiros, Maguim, tem que botar na cabeça que somos pistoleiros”, diz.

Operação prendeu 13 pessoas

Ao todo, a operação Dictum – que significa “limpeza” em latim – prendeu 10 policiais, sendo nove militares e um civil, além de outras três pessoas que não eram agentes de segurança.

O Greco informou que ainda apura quais policiais participavam diretamente de quais crimes e quantos homicídios podem ter sido praticados pelo grupo criminoso.

A suspeita é de que eles interceptassem cargas de contrabando, em especial de cigarro, para revender. Além disso, são suspeitos de invadir bocas de fumo, roubar entorpecentes e repassar a droga para outros grupos de traficantes, mediante pagamento.

“Eles roubavam cargas de contrabando, principalmente cigarros e revendiam depois. Atacavam pontos de venda de entorpecentes, atacavam aqueles que não podiam registrar ocorrência. Tomavam de uns pontos e revendiam em outros. Além de crimes de pistolagem, por dinheiro e armas”, explicou o secretário.

Fonte: G1

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