Delatores dizem que deputado Paes Landim recebeu R$ 180 mil em doações da Odebrecht
Publicado por: Odaliana Carvalho Veloso | Data: 18/04/17
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Delatores dizem que deputado Paes Landim recebeu R$ 180 mil em doações da Odebrecht

O deputado federal Paes Landim (PTB) será investigado pela Procuradoria Geral da República por ter recebido R$ 180 mil da empresa Odebrecht, conforme citado por ex-diretores da empresa nas delações premiadas da Operação Lava Jato. Os valores de R$ 100 mil e R$ 80 mil teriam sido solicitados para as campanhas eleitorais de 2010 e 2014, respectivamente.

As informações foram divulgadas após o ministro Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo sobre o processo e determinar o envio dos autos para a Procuradoria da República.

Na delação de José de Carvalho Filho,  além de mencionar a doação para campanha, o ex-diretor cita ainda a relação de longos anos de apreço do parlamentar pela empresa. O G1 assistiu ao vídeo que mostra a deleção. José de Carvalho diz que o valor de R$ 80 mil foi autorizado por João Pacífico, ex-executivo da Odebrecht. Segundo ele, a atribuição de valores e a forma da doação são definidos pela empresa. Alguns trechos da delação são inaudíveis.

José Carvalho Filho também fala do apreço que Paes Landim mantém pela Odebrecht, fato esse corroborado também na deleção de Cláudio Melo, ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht quando este menciona que o deputado tem relações com a empresa desde a década de 1980. Cláudio cita até que o parlamentar comentou com ele da sua pretensão de publicar um livro com a história de Norberto Odebrecht, fundador do grupo.

Além da doação para a campanha de 2014, segundo o Ministério Público Federal, os colaboradores relataram o pagamento de vantagem não contabilizada no valor de R$ 100 mil para a campanha de 2010. O repasse, segundo o MPF, foi feito por meio do setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht, sendo o deputado Paes Landim identificado no sistema “Drousys” com o apelido “Decrépito”.

Na delação de Cláudio Melo, o ex-diretor fala que a solicitação foi feita pelo próprio parlamentar ainda no primeiro semestre de 2010, período em que, segundo ele, a empresa é mais procurada pelos políticos. Cláudio diz ainda que trata-se de pagamentos não contabilizados.

Conforme o Ministério Público, o repasse feito ao parlamentar teria como contrapartida atuação política favorável aos interesses do grupo empresarial em caso de necessidade. José Francisco Paes Landim está no seu oitavo mandato na Câmara dos Deputados.

O G1 entrou em contato com o deputado Paes Landim por meio de sua assessoria de imprensa e esta informou que o parlamentar estava em reunião com advogados e somente se pronunciaria ao final do encontro. Até a publicação da reportagem nenhum retorno havia sido dado sobre o teor das delações.

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