De janeiro a julho, 19 assaltos a bancos já foram registrados no Piauí
Publicado por: Josely Carvalho | Data: 13/07/18

De janeiro a julho, 19 assaltos a bancos já foram registrados no Piauí

Dados do Sindicato dos Bancários do Piauí revelam que, só este ano, já aconteceram 19 ocorrências de assaltos e explosões em agências bancárias do Estado. Em comparação com o ano de 2017, observa-se uma evolução nesse tipo de crime: em todo o ano passado, foram registradas 21 ocorrências, sendo 16 no interior do Piauí, quatro em Teresina e uma ocorrência em Timon (MA).

Na última quarta-feira (11), uma nova explosão de caixa ocorreu em Altos, município a 40 km de Teresina. Essa foi a segunda vez que a cidade foi alvo dos bandidos este ano, sendo a primeira em janeiro. Um bando formado por 10 pessoas explodiu o cofre da agência do Banco Bradesco na cidade. Os criminosos fizeram reféns para evitar que os policiais se aproximassem.

População fica prejudicada

O professor Sérgio Morais mora em Altos e diz que as três agências da cidade já foram alvo da ação de criminosos. Inclusive, ele conta que já houve morte em uma dessas ocorrências, anos atrás. Cinco municípios dependem das agências da cidade, especialmente os aposentados. “Às vezes, demora a voltar o funcionamento e dificulta a vida, onerando as pessoas que precisam se deslocar para outras cidades”, assinala.

Além disso, o comércio é a atividade com mais força e a cidade perde com a falta de circulação de dinheiro, afirma Sérgio. O que acontece, em muitos casos, é que as agências passam a funcionar como postos de atendimento para consulta de saldos, abertura de contas, realização de empréstimos e outras demandas, mas sem a opção de saque do dinheiro. Com isso, as pessoas buscam outras cidades e o dinheiro acaba circulando em outro município, prejudicando a economia dos locais onde as agências não estão funcionando, além de sobrecarregar as agências das cidades vizinhas.

Sindicato: agências estouradas acabam sendo fechadas

Gece Nogueira é diretor de Saúde e Segurança no Trabalho do Sindicato dos Bancários do Piauí e também comenta os problemas que decorrem dessa situação, em especial o fechamento de agências. “Acho que os ban­cos estão aproveitando-se da oportunidade de ter um caixa estourado em algum momento e simplesmente deixam aquela agência no abandono completo e pro­curam justificar que esses fe­chamentos são em função de assaltos e falta de segurança”, afirma.

Outro aspecto que leva ao fechamento dessas agências é a migração dos correntistas para os aplicativos de celular, onde eles realizam boa parte das transações bancárias.

Quando não são fechadas, essas agências demoram mui­to a retomar o funcionamento. Segundo Gece, os bancos de­moram, em média, seis meses para começar a resolver a si­tuação das agências que foram explodidas. Além disso, o dire­tor explica que muitos bancos perdem o interesse em manter uma agência nas cidades onde os assaltos são recorrentes.

Outra reclamação

O Sindicato também recla­ma que a Lei de Segurança Bancária (Lei 6168/2002), de autoria da deputada esta­dual Flora Izabel, que estabelece vários dispositivos de segurança, entre os quais o monitoramento eletrônico 24 horas pela Polícia Militar. “Os bancos, de 2012 pra cá, prati­camente não cumpriram 50% dessa lei”, diz Gece. Para ele, os bancos têm sido relapsos em fazer uma segurança mais eficiente das agências, já que dispõem de recursos para isso.

Estratégias e perspectivas

Ainda de acordo com o dire­tor Gece Nogueira, uma estra­tégia que tem ajudado bastante a reforçar a segurança do traba­lho nas agências é a realização de audiências públicas nas Câ­maras Municipais. Nelas, com representantes das instituições bancárias, o assunto é debatido e é observada uma maior agili­dade na resolução do problema.

Por isso, é tão importante envolver as autoridades públi­cas na busca por soluções, bem como a própria sociedade civil organizada. Gece defende que a população, especialmente em cidades pequenas, deve estar atenta à chegada de pessoas “estranhas” no local e informar à polícia caso perceba qualquer atividade suspeita.

Para ele, o serviço de inteli­gência das polícias, que mui­tas vezes conseguem impedir a ação criminosa, quando eles ainda estão planejando o rou­bo, também é muito impor­tante.

Por: Ananda Oliveira e Maria Clara Estrêla | O Dia  | Foto: reprodução

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Jornalista e Relações Públicas, formada pela Universidade Estadual do Piauí.

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